domingo, 27 de fevereiro de 2011

Testemunhos dos meus alunos

Pedi aos meus alunos do 8ºano que escrevessem, anonimamente, o que mais os inquietava na escola, aqui vai:

"Não gosto quando um professor trata um aluno de especial forma, de modo a esquecer-se das dúvidas ou perguntas dos outros (...) Não gosto dos atrasos dos professores e não concordo com a divisão das disciplinas de Música e E.T. por turno."

"Não gosto de ter aulas à tarde e da nova regra das faltas."

"Não gosto da escola porque implicam comigo. Eu sou muito agitado em algumas disciplinas mas os professores exageram na maneira que falam e são injustos. Sou culpado por coisas que não faço só por não ter um curriculo muito bom. Eu não sou nenhum santo mas os professores culpam-me de muita coisa que não faço (...) As aulas são muito tempo."

"Estou cansada de estar a fazer o 8ºano de novo. De ter disciplinas que temos de ficar 90 min sentados só apretar atenção em certas aulas. Acho que não tinhamos de ter 90min de aula mesmo porque não conseguimos estar 90min calados, com atenção e sentados."

"Acho que deviamos ter menos disciplinas, tipo matematica elementar e deviamos poder escolher as disciplinas no nosso horário."

"Algumas turmas deviam ter aulas à tarde e outras de manhã e todas as turmas deviam ter a sua própria sala para ter aulas."

Repensar a educação

Segundo Ken Robinson vivemos uma crise na educação e necessitamos de mudar a forma como educamos as nossas crianças. Se anteriormente as crianças iam à escola com o propósito de terem trabalho no futuro, hoje nada as garante de tal. E, assim desconhecem o valor da escola, desacreditam num futuro promissor facultado por um diploma de estudos.
Estas crianças nasceram na era tecnológica, são bombardeadas pela televisão, telemóveis e internet o que não facilita sentirem-se estimuladas pela escola. Os professores usam power points, internet e afins tecnológicos considerando que acompanham os seus alunos, mas estes sim possuem competências extraordinárias neste campo que os professores não entendem. Logo não será de esperar que a escola seja para os alunos deste tempo, uma “seca”?
Ao pensarmos na escola surge-nos uma ideia ultrapassada de um espaço fabril especializado em disciplinas e que divide as crianças por idades. São espaços que reflectem a cultura manufactora até no simples toque da campainha. Deveríamos repensar os espaços escolares…
Devido ao facto dos alunos estarem agitados e não louvarem a escola, cunhamos estes por variadíssimas patologias, tais como: hiperactivos. Estes acabam sendo medicados, tentando assim que prestem atenção nas aulas. Não deveríamos adormecer as crianças dos nossos dias, mas sim entusiasmar a que desertassem o potencial de cada uma. Talvez se tentássemos conhecer estes jovens e conseguíssemos perceber o que os cativa e as respectivas aptidões, pudéssemos torná-los mais autênticos.
Muitas escolas diminuem a carga horária das disciplinas artísticas, não existindo espaço para a criatividade. Até mesmo os professores vêm-se obrigados a cumprir programas do Ministério e a declararem de propostas inovadoras nas suas práticas. Não creio que exista mesmo, espaço para as crianças poderem brincar. Se um aluno tem um comportamento desajustado tiram-lhe os intervalos e as tardes livres. Desta forma não há como colocar nos nossos alunos palavras dignas de educação, escola e ensino.
Devíamos personalizar a educação e não padronizá-la.

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

O feio para além do belo

Este colóquio no dia 17 e 18 de Março, visa reflectir sobre o feio, desvinculando-o da tradicional oposição ao belo, e sobre as circunstâncias através das quais as formas de transgressão do cânone artístico se emanciparam como formas artísticas em si, para lá da transgressão e do tipo de percepção estética que procuram suscitar.

Acção creditada: Os formandos terão uma componente de avaliação contínua apoiada no registo da assiduidade nas conferências e da sua participação nos timings de discussão e intervenção. Produzirão na fase final um relatório individual e auto-crítico sobre os conteúdos das conferências; o interesse para a sua prática docente e a aquisição de competências enquanto professores e indivíduos.

De acordo com a lei, serão ainda sujeitos à avaliação quantitativa na escala de 1 a 10 e à respectiva avaliação qualitativa, conforme Carta Circular n.º 3/2007 do CCPFCP e que assenta no n.º 2 do artigo 46 do Estatuto da Carreira Docente do Decreto lei 15/2007 de 19 de Janeiro e que prevê a aplicação em da escala apresentada

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

A compilar a narrativa autobiográfica...

Currículo Oculto

"O currículo oculto é constituído por todos aqueles aspectos do ambiente escolar que, sem fazer parte do currículo oficial, explícito, contribuem, de forma implícita para aprendizagens sociais relevantes (...) o que se aprende no currículo oculto são fundamentalmente atitudes, comportamentos, valores e orientações..." (Silva, 2001)

Primeira aula de IPP

Esta primeira abordagem à disciplina de Introdução à prática profissional deixou-me frases que espero nunca esquecer! Obrigada Professor pela forma como encarou leccionar estas aulas.

"O Professor não ensina, educa"

"Estamos a fazer um telefonema e o nosso objectivo é que todos os alunos atendam a chamada"

"Não há receitas para se ser professor, não se ensina a ser professor"

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Daniel Sampaio e a Educação em Portugal

Hoje encontrei este artigo na sala dos professores.

Quando um aluno entra na escola às 8h e sai às 20h, tem pai/mãe em média 3h por dia. Que geração estamos a criar?
Daniel Sampaio
Merece toda a atenção a proposta de escola a tempo inteiro (das 7h30 às 19h30?), formulada pela Confederação Nacional das Associações de Pais (Confap). Percebe-se o ponto de vista dos proponentes: como ambos os progenitores trabalham o dia inteiro, será melhor deixar as crianças na escola do que sozinhas em casa ou sem controlo na rua, porque a escola ainda é um território com relativa segurança. Compreende-se também a dificuldade de muitos pais em assegurarem um transporte dos filhos a horas convenientes, sobretudo nas zonas urbanas: com o trânsito caótico e o patrão a pressionar para que não saiam cedo, será melhor trabalhar um pouco mais e ir buscar os filhos mais tarde.
Ao contrário do que parecia em declarações minhas mal transcritas no PÚBLICO de 7 de Fevereiro, eu não creio à partida que será muito mau para os alunos ficar tanto tempo na escola. Quando citei o filme Paranoid Park, de Gus von Sant, pretendia apenas chamar a atenção para tantas crianças que, na escola e em casa, não conseguem consolidar laços afectivos profundos com adultos, por falta de disponibilidade destes. É que não consigo conceber um desenvolvimento da personalidade sem um conjunto de identificações com figuras de referência, nos diversos territórios onde os mais novos se movem.
O meu argumento é outro: não estaremos a remediar à pressa um mal-estar civilizacional, pedindo aos professores (mais uma vez...) que substituam a família? Se os pais têm maus horários, não deveriam reivindicar melhores condições de trabalho, que passassem, por exemplo, pelo encurtamento da hora do almoço, de modo a poderem chegar mais cedo, a tempo de estar com os filhos? Não deveria ser esse um projecto de luta das associações de pais?
Importa também reflectir sobre as funções da escola. Temos na cabeça um modelo escolar muito virado para a transmissão concreta de conhecimentos, mas a escola actual é uma segunda casa e os professores, na sua grande maioria, não fazem só a instrução dos alunos, são agentes decisivos para o seu bem-estar: perante a indisponibilidade de muitos pais e face a famílias sem coesão onde não é rara a doença mental, são os promotores (tantas vezes únicos!) das regras de relacionamento interpessoal e dos valores éticos fundamentais para a sobrevivência dos mais novos. Perante o caos ou o vazio de muitas casas, os docentes, tantas vezes sem condições e submersos pela burocracia ministerial, acabam por conseguir guiar os estudantes na compreensão do mundo. A escola já não é, portanto, apenas um local onde se dá instrução, é um território crucial para a socialização e educação (no sentido amplo) dos nossos jovens. Daqui decorre que, como já se pediu muito à escola e aos professores, não se pode pedir mais: é tempo de reflectirmos sobre o que de facto lá se passa, em vez de ampliarmos as funções dos estabelecimentos de ensino, numa direcção desconhecida. Por isso entendo que a proposta de alargar o tempo passado na escola não está no caminho certo, porque arriscamos transformá-la num armazém de crianças, com os pais a pensar cada vez mais na sua vida profissional.
A nível da família, constato muitas vezes uma diminuição do prazer dos adultos no convívio com as crianças: vejo pais exaustos, desejosos de que os filhos se deitem depressa, ou pelo menos com esperança de que as diversas amas electrónicas os mantenham em sossego durante muito tempo. Também aqui se impõe uma reflexão sobre o significado actual da vida em família: para mim, ensinado pela Psicologia e Psiquiatria de que é fundamental a vinculação de uma criança a um adulto seguro e disponível, não faz sentido aceitar que esse desígnio possa alguma vez ser bem substituído por uma instituição como a escola, por melhor que ela seja. Gostaria, pois, que os pais se unissem para reivindicar mais tempo junto dos filhos depois do seu nascimento, que fizessem pressão nas autarquias para a organização de uma rede eficiente de transportes escolares, ou que sensibilizassem o mundo empresarial para horários com a necessária rentabilidade, mas mais compatíveis com a educação dos filhos e com a vida em família.
Aos professores, depois de um ano de grande desgaste emocional, conviria que não aceitassem mais esta "proletarização" do seu desempenho: é que passar filmes para os meninos depois de tantas aulas dadas - como foi sugerido pelos autores da proposta que agora comento - não parece muito gratificante e contribuirá, mais uma vez, para a sua sobrecarga e para a desresponsabilização dos pais.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Didáctica das Artes Plásticas I

Avaliação:

Carta a um professor – 1 valor

Narrativa autobiográfica – 4 valores

Relatos trabalhos escolares – 2 valores (2 antes e 2 depois da licenciatura)

Relato unidade didáctica – 2 valores (documentação do processo, fotografias)

Diário de aula – 2 valores

Diário de campo/Relatos de experiências – 2 valores (blog)

Assiduidade/Responsabilidade/Empenho – 1 valor

Participação/Comunicação/Interacção – 1 valor (pode ser por mail)

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

4. Que colaboração você teria para a transformação para melhor da sua prática pedagógica em Artes?

Neste preciso momento encaro que estou a melhorar a minha prática pedagógica. No ano lectivo 2009/2010 realizei as unidades curriculares do Mestrado de Educação Artística o que me possibilitou o conhecimento de autores, teorias e práticas. Com este Mestrado sinto que disciplinas como: processo educativo, didáctica do desenho e introdução à prática profissional me estão consolidar como professora de competências artísticas. Por outro lado penso que seria uma mais valia continuar a desenvolver o meu trabalho artístico, nomeadamente ilustrações infantis e cerâmica, algo que juntamente com a docência se completariam. Gostaria também de leccionar fora do contexto Europeu, algo que me poderia transformar enquanto pessoa e também enquanto professora. Conhecer outras etnias e culturas continuam no meu plano de objectivos com o fim de aperfeiçoar a prática pedagógica.

3. Como está o ensino da Arte na sua escola?

Ao reflectir sobre a Escola Manuel da Maia, considero que o ensino da arte incentiva os alunos a irem às aulas. Esta escola tem taxas elevadas de insucesso e a desmotivação dos alunos é geral. É uma escola de risco, onde compete aos professores estimularem os alunos para as novas aprendizagens. Este grupo de alunos espelha os restantes índices do antigo Casal Ventoso, são filhos de ex-toxicodependentes ou de ex-presidiários que cresceram nas ruas, muitas vezes sem regras e até sozinhos. É neste contexto que todos os membros da comunidade educativa actuam. Assim sendo, as disciplinas artísticas são de extrema importância. Como é exemplo a Educação Musical, onde os esforços são evidentes na tentativa de cativar os alunos para as aulas. Substituíram-se os instrumentos musicais clássicos por guitarras eléctricas e baterias, e criaram-se bandas de garagem, tanto com alunos como com professores. Mesmo quando não há aulas os alunos ensaiam, e quando estes não estão a cumprir devidamente com as outras disciplinas, ficam suspensos dos encontros musicais. Os benefícios desta abordagem são vários, especialmente ao nível do comportamento e da disciplina, sendo menos notório no plano das aprendizagens. Em relação à disciplina que lecciono, Educação Tecnológica é de salientar os antecedentes do professor da Delfim Miranda. Este professor é também conhecido por “gepeto português”, um marionetista de renome que deixou fortes testemunhos da sua prática artística, por toda a escola. Hoje realizamos trabalhos que ressaltam o que foi a escola noutros tempos. É de notar que esta tem um imenso sótão, cheio de obras de arte, desde marionetas a esculturas e instrumentos musicais que qualquer professor pode requisitar. E, envolvemo-nos em projectos e parcerias com as diferentes disciplinas do departamento de expressões. Do qual é vigente o actual trabalho, “Esculturas sonoras”, onde os alunos constroem objectos musicais na minha disciplina, tocam-nos na educação musical, tendo como objectivo um concerto no final do ano. Assim sendo, compreendo que o ensino da arte vai de encontro às possibilidades da escola em termos de estruturas e equipamentos assim como ao interesse dos alunos. Na Manuel da Maia, os discentes empenham-se nas disciplinas artísticas e entusiasmam-se com as tarefas propostas

2. Como professor(a) que postura de ensino da Arte você adopta? Porquê?

O professor dos nossos dias tem de acartar com todas as mudanças que a sociedade moderna apresenta. Compreendendo este facto, as minhas aulas fogem um pouco à clássica transmissão de informação por recepção, através da manipulação de meios tecnológicos que cativam os alunos. Como por exemplo, é possível ouvirem música e em cada aula, um dos alunos fica encarregue de expor as suas preferências musicais. Por outro lado, utilizo o método da descoberta, postulado por Jerome Bruner, coloco questões e através de reforços tento motivá-los nas novas aprendizagens. No inicio de cada aula, exponho os conteúdos que pretendo tratar e peço aos alunos para escolherem, levando-os a responsabilizarem-se e a tornarem-se mais autónomos. Adopto uma postura reflexiva ao deparar-me com as contrariedades da docência. Como me encontro em inicio de carreira, sinto necessidade de pensar o porquê de algo resultar com um determinado aluno e com outro não, entre outras ambiguidades, que somente a experiência poderá ditar. Considero que os trabalhos de grupo, as visitas de estudo e o envolvimento com a comunidade escolar são factores importantes, que ajudam os professores e os alunos a cooperarem

1. Quais os valores em relação ao ensino da Arte você recebeu em sua formação? Qual a sua opinião a respeito da sua formação em artes?

Em relação à minha formação pessoal e artística foi notório o interesse dos meus familiares pela arte, através de idas a museus, galerias, peças de teatro e bailados, cinema, entre outras. Na minha formação retive valores de respeito, responsabilidade, autonomia e solidariedade, o que se espelhou em programas de voluntariados fora e dentro do meu país. É de salientar que ao nível dos professores das disciplinas das artes, relembro o contexto da cidade de Évora, a minha cidade natal, onde realizávamos exposições e projectos de benevolência. No entanto deparei-me aqui com um professor que não me estimulava. Este referia que a minha formação deveria ser na ordem as ciências, tal como os meus pais e dizia: “Nunca vais entrar nas Belas Artes e se for o caso é devido às notas nas disciplinas teóricas”. Estas palavras assombraram-me durante anos, no entanto entrei nas Belas Artes e o panorama mudou. Aqui tive especial atenção ao desenho, e todos os professores me marcaram pela positiva. As aprendizagens foram em diversos níveis, pessoais e artísticas. E, o desenho deixou de ser um “dificuldade”, passou a ser a minha disciplina de preferência, tendo realizado todos os níveis deste. Foi através de incentivos dos professores desta instituição que hoje ao deparar-me com alunos que dizem: “Não sei desenhar” tento vários caminhos motivadores e despoletadores das diferentes práticas do ensino do desenho. Hoje reflicto constantemente no meu percurso, talvez por me encontrar a leccionar e sentir-me próxima dos alunos e das problemáticas que a área artística pode gerar. A minha formação em artes não é estanque, penso que é algo em constante construção. E, é neste sentido que gostaria de demonstrar aos alunos que também as práticas artísticas exigem esforço, empenho e dedicação.